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O Império Contra-Ataca

Monday, February 23rd, 2009

Não sou democrata”.

E digo isso para o escândalo de muitos. Mas não posso negar. Não sou democrata e apelo para a proteção de vocês, pois, em um mundo onde se impõe uma democracia aqui e se força outra acolá, o que não farão com um cidadão mínimo como eu: pacato, ordinário e portador de CPF? Chamar-me-ão terrorista, talebã, fascista, pérfido e déspota. Contudo repito: não sou democrata. E mais. Não acho que a maioria esteja com a verdade. A maioria, na maior parte das vezes, está errada. A maioria é burra. Senhor, salva-me da maioria! É por isso que não sou democrata. Democratas são o Bush, os tucanos e os lulopetistas. Eu sou… absolutista?! Isso. ABSOLUTISTA! Mas um absolutista sem rei nem coroa. Afinal, admito que a monarquia absolutista é o regime ideal somente quando temos um monarca ideal com idéias ideais em um tempo ideal num país ideal. E a verdade é que, em nossos dias, quem seria digno sob os céus de ostentar uma coroa? Mesmo assim sou absolutista; sou e espero. Como dizia Fernando Pessoa: “Quanto é melhor, quando há bruma, esperar por D. Sebastião, quer venha quer não!”.

P.S.: Anarquista que não sou! Não me sentiria digno de carregar este nome; nem tenho poder e autoridade para tanto. Deixo-o para Deus, o único Anarquista autêntico, já que é “tudo em todos”.

Linoge.

Voto: um direito e dever de todo cidadão

Thursday, February 12th, 2009

O que é ser cidadão?

Definir o que é ser cidadão é mais complexo do que parece, porém poderíamos dizer que ser cidadão é ter direitos e deveres, ser súdito e soberano.

Para um melhor entendimento poderíamos dividir os direitos do cidadão em três:

Direitos civis: é o direito de se dispor do próprio corpo, locomoção, segurança, etc.

Direitos sociais: é o direito ao atendimento das necessidades humanas básicas como alimentação, habitação, saúde, educação, etc.

Direitos políticos: é o direito de ter livre expressão de pensamento e prática política, religiosa, etc. Resumidamente trata do direito de relacionar-se com os outros homens através da representação direta (sindicato, escola, associação de bairro) ou indireta (pela eleição). Ele delibera os outros dois direitos, os civis e os sociais – esclarece quais são esses direitos e o modo de chegar a eles.

É principalmente este último que estaremos exercendo nas eleições do dia 06 de outubro. Nosso voto é uma autorização dada a um determinado candidato que, se eleito, tem por obrigação nos representar no poder legislativo ou executivo. Daí a palavra mandato, que não significa nada mais do que procuração. A eleição é a maneira como se escolhe quem deve assumir a responsabilidade de governar o país, o estado, o município.

É na eleição que exercitamos a democracia. Mas a democracia não se resume de forma alguma à eleição. Ser democrata é não se acomodar perante as injustiças; é, sobretudo, incomodar-se com as desigualdades sociais. A democracia é por excelência subversiva. Indignar-se, questionar, revoltar-se são exercícios da democracia; o exercício se dá através do diálogo, de saber ouvir e falar.

A experiência realmente verdadeira da democracia no Brasil é muito recente. Passamos, desde o início da república (1889), por períodos de ditadura, onde não era permitido aos brasileiros escolherem seus representantes. O voto é uma conquista comprada à custo de muito sangue. Foram muitos os torturados e mortos por lutarem pela liberdade de expressão e pelo direito de escolher nossos governantes.

D. Paulo diz: “não fazer política é a pior forma de se fazer política”. A participação política é uma obrigação do cristão. Mais do que um direito, votar é um dever para com aqueles que deram suas vidas pela democracia e para com aqueles que são vítimas dos problemas sociais, já que podemos eleger pessoas compromissadas em acabar com a exclusão social. Além disso, só podemos cobrar nossos direitos quando participamos do processo democrático; quem vota em branco, anula ou vende seu voto acaba perdendo o direito de reclamar mais tarde.

As eleições de 2002

Este ano votaremos em candidatos para presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual.

O chefe do Poder Executivo no nível federal (presidente) e estadual (governador) tem por função fazer funcionar a máquina governamental. O Executivo é quem contrata, descontrata, faz obras, presta serviços, controla a moeda, a exportação e a importação.

Quando falamos em presidente e governador, mais do que uma pessoa estamos elegendo uma proposta de governo. E o mais importante é saber se essa proposta tem compromisso com a maioria, ou seja, o povo. Saber quais as forças que apóiam o candidato ajuda a constatar a veracidade das suas promessas. Um presidente ou governador não pode ser um aventureiro, um ambicioso, um corrupto. Verificar o passado do candidato faz-nos saber quais são seus interesses.

Os deputados e senadores compõem o Poder Legislativo. Fazem as leis que regulam o uso dos recursos públicos (o orçamento) e as condições de nossa vida coletiva, além de fiscalizar o Executivo. O Legislativo retém mais poder do que aparenta.

O principal critério para se escolher um bom deputado ou senador está na verificação das qualidades pessoais do candidato, valendo também nesse caso considerar sua história pessoal. Muitos candidatos utilizam-se do esquema “é dando que se recebe”, acabam vendendo seus votos para o Executivo ou para empresários, latifundiários e outros membros da elite. Por isso o cargo de deputado estadual, deputado federal e senador são muito cobiçados por “picaretas”.

Na verdade uma porcentagem muito grande – talvez a grande maioria – dos nossos “representantes do povo” são mesmo é representantes de si mesmos, transformando os parlamentos em autênticos “balcões de negócios”. Com isso os Executivos podem fazer o que querem, impondo sua vontade ao país, e a corrupção fica impune.

Quem prefere que voltemos à ditadura pode até facilmente propor o fechamento dos nossos parlamentos, mas isso também significaria uma perda da liberdade de todos nós. Melhor maneira de combater a corrupção é fiscalizar os nossos governantes e escolher candidatos de acordo com os critérios acima. O dever do cidadão é cobrar seus direitos.

Portanto, nessas eleições vote com consciência, escolha bem seu candidato e certifique-se que ele está realmente compromissado com você. A única maneira de mudar o país é através do voto, porque este nos dá um direito muito prazeroso que é o de escolher. Não deixe de votar e se você acha que o país vai mal vote para mudar. Boas eleições!

Escrito por Linoge em 2002.

Sampa, Paulicéia ou o nome que vocês queiram dar!

Thursday, February 12th, 2009

Começa a noite na Grande São Paulo. A cidade sem limites, cujas fronteiras se perderam no fluxo de córregos imundos onde bóiam corpos em meio a detritos. Onde casas surgem umas sobre as outras sem nenhuma projeção de espaço. As casas comem umas às outras numa paisagem que lembra muito mais uma selva de concreto e madeira do que uma comunidade de pessoas. Ruas remendadas, crianças maltrapilhas jogando pelada na rua, cachorros esfomeados disputando ossos com mendigos. Essa é a cidade dos contrastes, das ilusões que surgem nos néons da Paulista e se acabam debaixo do Minhocão. Sonhos que desembarcam na Rodoviária do Tietê, percorrem o calvário da Brigadeiro Luís Antônio e  agonizam nas ruas solitárias da Cracolândia.

São seis horas da tarde. Fim de expediente. Início da noite. Todos querem ir pra casa. Carros se acumulam nos labirintos das ruas em meio a pedintes e ladrões, bichas e prostitutas. O nosso trânsito é vertiginoso. “Me dá um dinheiro, moço!”, “Passa a grana!”, “O documento do carro, por favor!”, “Mãos na cabeça!”. Verde; Laranja; Vermelho. Alarmes, buzinas, sons dos motoboys. Fumaça de carro e de cigarro. STRESS! E todos correndo pra chegar em casa, rezando (quando se lembram) pra poder chegar em casa inteiros. Ninguém quer perder a novela das oito!

Não há mais o romantismo das garoas nem boêmios na noite de Sampa. Hoje encontramos apenas bêbados em botecos fedorentos se entupindo de cachaça pra ver se suportam o ritmo da cidade, pra ver se amortecem seus sentidos, assim eles podem se passar por simples bêbados, e não por loucos que gritam a dor da Paulicéia desvairada. Ah, Mário de Andrade, a tua Paulicéia se perdeu de vez, deita-se todos os dias na cama de políticos corruptos, de empresários usurpadores! Essa louca se vende por um prato de feijão, se entorpece nas dunas de cocaína que rolam nas veias do seu corpo alienado.

Não há Lua na cidade. No céu marrom e nublado, viciado na fumaça das fábricas, a única bola redonda, branca e iluminada que temos é o holofote de um helicóptero policial. Luz que rasga a escuridão das ruas estreitas da periferia procurando por marginais. Estes se escondem com os gatos pretos em lugares inusitados, não passam de tolos que sustentam os verdadeiros donos da farinha, os homens que habitam a região do Jardins, que dormem nos leitos confortáveis construídos à custa dos alucinados jovens que aspiram toda forma de consolação.

E das bocas, comandadas pelos trouxas, são escarrados todos os dias viciados, meninos, vagabundas, todas as espécies da “escória” que nossa cidade esconde. O regime do terror ganha força no Estado de fato. Não há direito, não há leis, não há moral. A sobrevivência é a máxima!

E de repente: Luzes vermelhas e azuis iluminam ruas da Brasilina, janelas se fecham, RATATATAS são ouvidos de todos os lados e confundidos com gritos de dor, latidos de vira-latas, o choro das mães. Um silêncio súbito. E de repente o sangue escorre pela sarjeta. Sangue de bandido? Sangue de polícia? Não. Constata-se que o sangue que corre é de um zé qualquer que voltava do trabalho. Mais um corpo que se transforma em apenas mais um número nas estatísticas. A revolta é sentimento no coração do povo, mas é só sentimento, e como um sentimento, se desfaz em medo na expressão estampada em frente às câmeras.

E assim, a noite vai sendo levada na cidade que não dorme. Na cidade em que os fogos de artifício são mesclados aos tiroteios. Enquanto uns comemoram o resultado de uma partida de futebol, outros se trancam nas suas casas ao sinal do toque de recolher. Fugindo dos exercícios de cidadania. Ser cidadão é perigoso. Antes, ser apenas um número qualquer, um RG nas estatísticas da segurança pública, um CPF nos dados da receita. Um número que se transforma numa Carteira de Trabalho de dia e num ponto do Ibope pela noite.

Prostitutas nas camas. Gays nas boates. Voluntários nos becos. Traficantes nas bocas. Viciados nas esquinas. Pais-de-família nas camas. Alcoólatras nos botecos. Crianças nos semáforos. Mendigos nos viadutos. Sons rotineiros e silêncios perturbadores. Luzes turvas e trevas sólidas. Essa é a minha São Paulo, uma terra paradoxal. Paisagem geográfica que é o corpo monstruoso e colossal desse Leviatã, o qual chamamos de SOCIEDADE. Gostaríamos que fosse apenas um pesadelo, mas ele é real e nos mastiga todo dia como Satanás a Judas no Inferno de Dante. Cidade grande e cheia, ao mesmo tempo que vazia e pequena. Não há palavras melhores pra adjetiva-la do que: nua, louca e desesperadamente solitária!

Escrito por Linoge em 2002.

Não Tape Suas Narinas!

Thursday, February 12th, 2009

A sociedade não pode mais fechar os olhos (e as narinas) para o problema das drogas. Sente-se o cheiro de maconha nas ruas, praças e até escolas. Não podemos mais pensar que elas nunca chegarão aos nossos filhos. Porque ao pensarmos isto, descobrimos que já é tarde demais. E o que fazer?

Criarmos campanhas contra as drogas usando slogans como “A droga é uma droga!” e “Sou careta: não uso drogas”? Essas frases já estão ultrapassadas e não querem dizer exatamente nada. São idéias consideradas ridículas pela juventude. E acredito que ela tem razão!

Estamos chamando-os de idiotas ao fazer propaganda de campanhas como esta, impregnadas de um didatismo primário. Estamos subestimando o poder de raciocínio desses jovens. Afinal, temos que admitir que a droga não é uma droga, a droga é legal! Se eu disser ao meu filho: “Olha, não experimenta drogas porque elas são ruins.”, eu estarei mentindo e, conseqüentemente, perdendo a confiança dele, pois, cedo ou tarde, ele terá contato com ela, e constatará por si próprio que esta ocasiona sensações muito boas, coisas que ele não sente no dia-a-dia. Fim do raciocínio: “O meu pai não entende nada! Como ele pode saber se nunca experimentou?!”

Quanto a dizer que quem não usa drogas é careta, não passa de uma grande mentira. Sabemos que os “cidadãos” que a juventude considera caretas, já usaram drogas. O que leva os jovens a pensar: “Se até Caetano já usou por que eu não posso usar?”

Os jovens que usam drogas não tem apenas fumaça na cabeça e névoa nos olhos. São jovens inteligentes, espertos, chego até a dizer que são os mais críticos que conheço. O que falta neles é formação e informação. A juventude já carrega na sua natureza a tendência revolucionária, a capacidade de mudar. O papel do jovem é ser o agente transformador da sociedade, aquele que vem pra renovar o que já desgastado e consolidar o que há de bom.

Infelizmente vivemos num mundo em que o jovem é constantemente excluído das decisões tomadas pela sociedade. Ele é formado pra não ter a capacidade de ter um pensamento crítico. Ele é programado pra simplesmente ser o agente consumidor. Consumir é sua tarefa, e fazendo isto ele estará contribuindo para a prosperidade do seu país.

E onde fica essa energia rebelde que emana do jovem? Não tendo os instrumentos pra protestar contra a sociedade materialista em que vivemos, o jovem torna-se um rebelde sem causa, e pra se vingar da sociedade, ele vai cumprir justamente a tarefa de que o encarregaram, ele vai consumir. Porém vai consumir aquilo que a sociedade condena, ele vai entrar em contato com as drogas. Essa é a maneira de ele dizer: “Olha, eu não to nem aí pra essa DROGA de Sistema!”.

Concluindo, se queremos combater as drogas, não só temos que ajudar aqueles que já se viciaram, como elaborar campanhas verdadeiras para aqueles que ainda vão ter contato com elas. E, principalmente, conscientizar os pais da maneira que eles devem estar expondo o assunto para seus filhos. Afinal, pra dizermos “Não!” às drogas, temos que dizer “Sim!” aos jovens.

Escrito por Linoge em 2002.

Justiça ou Vingança?

Monday, February 9th, 2009

Nos últimos tempos a vida não tem estado muito bem cotada na consciência da humanidade em geral. Ela perdeu tanto o seu valor que tem sido comercializada até por uns trocados. Esta crise moral por que estamos passando tem como alicerces, a injustiça e a descrença. Umas pessoas matam por estarem com fome, outras por ganância, e algumas até, por diversão.

Só que toda ação gera uma reação, que em quase todos os casos é sempre mais radical e estúpida. A sociedade realmente pede paz, ela está cansada da banalização da vida, dessa barbárie que se tem cometido. O problema é que querer plantar flores em campos de sangue gerará apenas ervas daninhas.

Algumas pessoas, e até autoridades (pra se perceber a estupidez a que chegamos) defendem a criação da pena de morte para crimes hediondos. Mas será que responder à violência com violência não é estar cometendo o mesmo erro. Será que dizer “não faça isso” fazendo é uma péssima maneira de dar exemplo?

E tem mais, a pena de morte é realmente justiça, ou apenas vingança? Muitas pessoas já cometeram atos hediondos dizendo-se “Arautos de Têmis”. Será que para resolver o problema da violência vamos ter que voltar no tempo e instituir a Lei do Talião? Ou será melhor, nos utilizarmos da imprensa sensacionalista do nosso país e exibirmos essas execuções pela televisão?

Até onde o ser humano tem direito de vida e de morte sobre outro? Então vocês podem dizer: “Mas não é você que está sendo lesado pela violência”. Eu respondo: “Sim, não sou eu. Somos todos nós!

O que está acontecendo, mais que uma crise moral, é uma crise espiritual. Falta alma pra tanta carne. Pois quando o homem quebrou seus laços com a divindade ele não foi auto-suficiente pra se sustentar. E numa sociedade que se diz em grande parte cristã e pacífica, defender a pena de morte é o cúmulo da hipocrisia e da ignorância.

Eu creio que a melhor punição que temos, além de justa, é a privação da liberdade. Mas privação mesmo, não esse sistema falho de penitenciárias que temos no Brasil, muito menos essa polícia despreparada e corrupta que se faz pouco investigativa e mais violenta que o próprio crime.

A sensação de impunidade que paira no ar nos nossos dias é o principal motivo do aumento da violência, e esta impunidade é que deve ser combatida. Se queremos construir a paz, temos que pregá-la acima de tudo. Paz não se compra a preço de sangue. Paz se conquista com a grandeza de espírito.

E paz não está em vidros blindados, ela é construída por todos e pra todos com menos desigualdade social e mais valorização da vida. É um trabalho que leva tempo, mas que com perseverança e união podemos realizar!

Mande sua opinião, me diga o que você acha que pode contribuir para construção de uma sociedade pacífica? E que tipo de instrumentos devemos usar para derrotar a violência!

Por Linoge, contido na coluna Blá-Blá-Blá da página Legado da Escrita.

- Esse texto foi publicado no Blá Blá Blá em 2002.

Paz para quem vende Guerra?

Monday, February 9th, 2009

Caros amigos, meu nome é Linoge e estou aqui com a missão que me foi dada pela Carola de ficar encarregado dessa coluna. E pretendo estrear essa sessão com um tema que nas últimas semanas tem sido muito discutido no mundo inteiro: é justo uma retaliação dos Estados Unidos ao Afeganistão?

Sem dúvida o ataque aos Estados Unidos é um fato triste, afinal um atentado destes com certeza deve ser condenado. Porém creio que uma guerra não é o caminho pra acabar com o terrorismo. Afinal os americanos condenam os fundamentalistas islâmicos por seu radicalismo, mas será que eles também não estão sendo fundamentalmente hipócritas?

A hipocrisia americana começa com o nome que eles deram a retaliação: “Guerra contra o Terror“. Mas a guerra não é um terror? Afinal, eles não atacarão direto os terroristas, mas civis de um país que foi arruinado pelas guerras que os americanos em outros tempos patrocinaram. Pessoas que por causa da política dos Estados Unidos, morrem de fome e vivem num estado miserável, esse tipo de retaliação já não é o suficiente? Será que a maneira de se dar fim ao terror é responder com mais atrocidades?

Tudo bem que o orgulho americano tenha sido ferido pelos atentados, mas será que uma parte desse drama não está sendo usado como pretexto para que o governo dos Estados Unidos possa atacar o Oriente Médio?

Sadam diz: “Os EUA estão colhendo o que plantaram“. Eu acredito que apesar de Sadam ser uma pessoa desprezível, ele está totalmente correto, afinal precisamos lembrar que foi o governo americano quem treinou Osama Bin Laden pra combater os soviéticos quando estes queriam invadir o Afeganistão. Este fato é uma espécie de um novo romance de Frankstein passado no século XXI, eles criaram um monstro e precisam deter sua criação.

Outro fato importante, será que os EUA também não são terroristas? Terroristas que usam terno e gravata e que ao invés de bombas utilizam sanções, embargos e outros artifícios econômicos que matam mais que um avião explodindo no World Trade Center em Nova York. Matam de uma maneira bem mais terrível, matam de fome, matam a alma das pessoas com a miséria e a ignorância.

Outra coisa que precisamos entender é que essa guerra contra o terror, é uma guerra sem alvo certo. Diz os EUA que não descansarão enquanto não terminarem com todos os terroristas, isso quer dizer que essa guerra não vai terminar nunca. Se eles começarem a considerar terroristas todos aqueles países que são contra sua política tirânica, então muitos serão alvo da luta contra o terror. Os EUA são obcecados pela Liberdade, porém são egoístas, porque a única liberdade que interessa é a deles, os outros que se fodam!

Para os Estados Unidos é “ou estão do nosso lado ou estão contra nós”. Será que no mundo ninguém vai ter coragem de explicar para os americanos que existe o meio termo, que esse meio termo pode ser a paz e que as pessoas tem o direito de não concordarem com suas decisões. Olhe quem lidera o mundo contra os terroristas: Bush, um caipira que ganhou as eleições de maneira muito duvidosa!

Os Estados Unidos também não podem esquecer que foram responsáveis por um dos fatos históricos mais vergonhosos da história do mundo, a Bomba de Hiroshima. Uma atitude tão desumana quanto o atentado ao World Trade Center. E os japoneses responderam da maneira mais sábia, reconstruindo seu país e mostrando uma revolução diferente, baseada na paz! Mas os americanos são orgulhosos demais pra isso, eles são o número 1. O orgulho deles é tão grande que quando andam seus mecanismos rangem.

E a pior conseqüência dessa retaliação é o preconceito que pode surgir desse fato contra os mulçumanos. Muitas atrocidades já foram cometidas em nome de uma raça que se considerava superior a outra. Não podemos deixar que essas coisas aconteçam de novo. Temos que aprender com a história e não cometer os mesmos erros.

Mas os Estados Unidos não devem fazer nada? Claro que devem. E eles são os únicos que podem fazer algo. Mas não retaliar violentamente, nem criar novas sanções econômicas. Por que desperdiçar tanto dinheiro para financiar uma guerra que só vai levar a mais mortes e ódio nas nossas crianças. Uma guerra que não vai trazer entendimento algum. Que usem esse dinheiro para investir na paz. Para serem solidários com o povo afegão que morre de fome, para que intermedeiem de maneira justa a divisão do território entre judeus e palestinos.

Sei que posso estar sendo ingênuo, talvez utópico. Também sabemos que o caminho que os EUA vão tomar não é o da paz. Sabemos que vamos assistir a uma nova guerra. Que vamos ser testemunhas de mais um ato vergonhoso da história da humanidade. Mas talvez seja necessário dizer que nós não concordamos com isso, que nós não queremos guerra, que nós desejamos a paz, para que assim pelo menos possamos estar em paz com a nossa consciência.

Que Deus não salve a América, mas sim que Deus salve o mundo! Seja esse Deus Oxalá, Jesus Cristo, o Deus Sol, Krishna, Lênin, Lennon, a Razão, Alá, Buda, a Deusa, ou qualquer outro.

Mas o que eu estou dizendo aqui é apenas a minha humilde opinião. Não respondo sobre o que deve ser feito, mas questiono e te pergunto: “O que deve ser feito?”. Peço aos amigos que queiram ler essa coluna que me mandem um e-mail expondo suas opiniões, garanto que as melhores serão divulgadas aqui nessa sessão de maneira imparcial. Afinal aqui nós pregamos a liberdade verdadeira, a liberdade de expressão!

Linoge.

- Esse texto foi publicado no Blá Blá Blá em 2002.