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Uma reflexão gerada acerca do atentado ao World Trade Center e suas conseqüências

Friday, February 13th, 2009

Há inúmeras coisas que devem ser questionadas sobre o atentado terrorista ao World Trade Center em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Por isso colocarei aqui os pontos que considero mais importantes. O primeiro deles é a manipulação da imprensa e sua ética relacionada com o American Way of Life. Em segundo lugar gostaria de tratar também a questão do nacionalismo norte americano relacionado com seu passado histórico.

Na sociedade moderna estar informado e atualizado é muito mais fácil do que há  algum tempo atrás, abrangendo todas as classes sociais, mesmo que o ensino seja muito mal administrado e de péssima qualidade para a grande maioria da população brasileira.

A quantidade de informações que adquirimos parece não se processar de maneira qualitativa, diante da rapidez e do volume imenso que se derrama diante de nós. Por esse motivo dificilmente não paramos para pensar na manipulação que sofrem tais informações independente de suas fontes. Depois do atentado aos edifícios novaiorquinos, assistimos  a tantas pessoas chorando, deixando flores, dando entrevistas e todo aquele melodrama patriótico. Você já parou pra pensar por   quê?? A resposta é imediata: “Como?! O que fizeram é uma atrocidade!”,  “Um crime absurdamente terrível!”,  “Temos que eliminar os terroristas  da face da Terra!”; e assim por diante. No entanto devemos parar e lembrar que não só essa atrocidade acontece no mundo. Milhares delas acontecem, e pessoas morrem de formas com as quais nós já nos acostumamos a ver; de fome, de frio, de endemias, ali mesmo do outro lado da calçada de nossas casas há um bêbado dormindo e nada é feito, porém quando um ataque terrorista acontece no país mais rico do mundo, o mundo inteiro chora. Fala-se em Terceira guerra mundial, mas a África por exemplo vive em guerra civil desde o século retrasado. Por que uma guerra civil em um país pobre que mutila pessoas com BOMBAS escondidas em minas, vale menos que a explosão de um prédio num país milionário?

Aí é perguntado: mas o que você quer dizer com isso?

O que quero dizer, é que a imprensa manipula informações, divulgam o que lhes convêm, alimentando a ignorância de muitos para que não olhem ao seu redor e glorifiquem o American Way of life, para que na cultura de países pobres como o Brasil, não se cultive intelectuais para questionar a ignorância e a falta de educação da população. Enquanto as pessoas choram e se emocionam com o sensacionalismo da imprensa, políticos roubam, informações são ocultadas, impostos são aumentados  e a maioria das pessoas não presta atenção porque outra notícia  lhe foi dada para se revoltar e se impressionar.

Tomemos como exemplo o Brasil, diante de sua péssima e miserável condição social para explicar o tamanho domínio do jeito americano de viver. A condição histórica do nosso país explica a destruição da cultura nossa nativa.

Nossa História conta que somos uma ex-colônia de exploração portuguesa, o que definitivamente atrapalhou no processo de independência, de forma que as elites agrárias permaneceram até hoje na administração política brasileira e o único interesse delas é enriquecer deixando pra trás o desenvolvimento social do Brasil. E qual a melhor forma para manipular uma população de mais 160 milhões de pessoas? Através dos meios de comunicação. Ainda que haja jornais, programas de televisão de boa qualidade que discute a ética jornalista e trabalham para o desenvolvimento cultural, não são suficientes para conscientizar as pessoas. Entra aqui então o American Way of Life que se aproveita da ignorância de uma população. Mas por quê? Os americanos são tão maus assim?? Não exatamente; por que são movidos por um impulso cultural e religioso (que não cabe aqui discutir)  que chamamos hoje de imperialismo e que este possui uma aceitação pelos governos subdesenvolvidos que subornados abrem as portas e as pernas para a entrada de uma cultura hegemônica.

Com certeza os Estados Unidos estão vivendo agora o auge do seu ufanismo nacionalista. O atual presidente George Bush é o representante mor do exibicionismo norte americano. Tão limitado em sua mente petrolífera e disléxica (tomei tal informação de fontes seguras) tomou posse mostrando a bota, afirmando da forma mais velada que é xerife do mundo. Em seguida recusou-se a assinar o Tratado do Kioto não se responsabilizando pelos 25% de dióxido de carbono emitido pelos Estados Unidos à atmosfera. Como se não lhe fosse bastante, divulgou concretizar o plano “Guerra nas Estrelas” de construir um escudo anti-mísseis armados de radares para defender a tão amada pátria, enquanto isso o que aconteceu? Foram destruídos dois dos mais idolatrados  patrimônios americanos, parte do Pentágono e as torres do World Trade Center que ficam muito abaixo de satélites detectores de mísseis.

Diante do orgulho ferido e da reverência do mundo diante de tamanha desgraça, resta aos EUA agora mostrar todo o seu poderio bélico armando seu exército e combatendo de forma xenófoba os causadores do atentado. Não estou aqui de forma alguma dizendo que os terroristas não devem ser julgados, devem sim pois são assassinos. Contudo deve-se analisar como puni-los. Certamente o que veremos poderá ser sim uma guerra, mais uma depois de tantas em que os EUA atreveram-se a intervir e matar. Quer exemplos? Bombas em Hiroshima e Nagazaqui, Guerra do Vietnã (que por sinal perderam) a intervenção na Iugoslávia exterminado macedônios com o argumento de que os mísseis foram jogados ‘sem querer’ por não terem o mapa correto atingindo  hospitais e asilos.

Encerro essa coluna, na qual tive o prazer de participar, me desculpando pelas digressões e também dizendo que não é minha intenção julgar a escolha cultural dos leitores, principalmente porque eu, na postura de alguém que representa a classe média brasileira, e que assimilou parte da cultura norte americana e no entanto não deixei minha postura social de lado. Também despeço-me confessando que só diante desse atentado fui levada a fazer reflexões que no fundo são visíveis há muito tempo, o que mostra que eu também fui atingida pelas informações da imprensa. À Carola e Linoge, meus agradecimentos por abrirem o tema da hp a um assunto de tamanha importância contribuindo para uma boa dose informação.

Escrito por Ashley em 2002.