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Happy Birthday, Real!!!

Monday, February 16th, 2009

E aí, galera, como é que tá de ressaca?! Bem, eu não estou de ressaca, mas de coluna…

Sábado a Carola me perguntou no icq: “Ash, cê tem alguma coisa pro Blá Blá Blá, aí?” Bem, eu respondi que iria ver um e-mail de um amigo português, que trazia uma discussão sobre qual a imagem do Brasil lá fora e que talvez seria interessante publicá-la e tal. Como uma boa brasileira torcedora que sou – em épocas de copa – eu acabei esquecendo, além do mais, euu me sentiria completamente irresponsável enviando uma discussão que não foi feita por mim e feriria os meus princípios… digamos, egóicos.

Fora gloriosíssima vitória pentacampeã da nossa seleção, outros acontecimentos da segunda-feira cheia de olheiras e com cara de feriado, claro, foram esquecidos.

Há exatamente oito anos era lançado o Plano Real. A maior representação da inesquecível fala do nosso presidente (sociólogo): “Eu sou um neo-liberal!”. Vale a pena falar um pouco das mudanças econômicas que aconteceram desde o lançamento do milagroso plano monetário, que fez o dólar até mesmo valer menos do que a nova moeda brasileira.

A primeira conquista a se ostentar com Real foi sem dúvida e estabilidade. Aparentemente nada subia nem descia, produtos importados inundavam as prateleiras dos mercados e lojas e a classe média fez a festa! A camada mais ambiciosa e esperançosa no quesito: “Um dia eu vou vencer e me tornar um grande!”, sentia que chegava perto de se tornar o típico estereótipo da classe alta, de carrão importado, telefone celular – embora todo mundo, hoje, ande com um -, viajando para o exterior e assim por diante.

Querem um exemplo? Eu. Por causa do Real, em 1997, viajei para fora do país, curtindo lá na Argentina, no gelo da Patagônia, o 1 peso valer 1 dólar. Depois, em 1998, custando só mais um pouquinho, uns 0,25 centavos a mais em relação à moeda norte-americana, brincando no câmbio espanhol e português de trocar dólar por pesetas e escudos – moedas da Espanha e Portugal, respectivamente.

E vejam só… esse mais um pouquinho hoje o que aconteceu? US$1,00 virou R$2,90… E no oitavo aniversário da moeda nacional, que se orgulhava de se equiparar ao dólar, comemora-se tudo em alta: o risco-país, a gasolina e o maior alta do dólar desde 1994  e uma ligeira alusão à inflação, aumentando o número de moeda impressa em grande estilo: o lançamento da mais nova nota de vinte reais que traz estampada no verso, nada mais sugestivo do que um mico.

Que vergonha, hein presidente!! Como se não bastasse dever R$22,00 ao ministro da fazenda Pedro Malan – no discurso em que este presenteou FHC com uma nota de vinte e outra de dois reais e em tom de brincadeira, o ministro cobrou do presidente o valor das notas – ainda aumentou a dívida interna com o povo brasileiro de início R$71 milhões e atualmente com R$639 milhões. O que mais podemos esperar? Claro! A volta da seleção brasileira, que será recebida por nada mais, nada menos que quem? Lá vai uma  dica: vai ser lá em Brasília!

Enquanto alguns compravam os tão cobiçados produtos estrangeiros, uma enorme camada de trabalhadores brasileiros perdia o emprego. A falta de protecionismo com o nosso mercado que permitiu a entrada de tantos importados, quebrou a balança comercial, o Brasil exportou menos e diminuiu a produção obrigando as pequenas e médias indústrias a fecharem e demitir seus funcionários. A conseqüência é o aumento do emprego informal, os famosos bicos, e o agravamento da questão social.

Depois de uma breve retrospectiva do que representou a economia do Real no Brasil, o que vemos é uma alta do dólar quase incontrolável, tentativas consecutivas de injetar moeda americana no mercado fazendo empréstimos do FMI – que eu diria quase arbitrários – para reduzir a inflação, as nossas laranjas se espremendo para entrar nos Estados Unidos – devido a alta taxa alfandegária imposta por eles.

Talvez eu tenha sido pessimista demais hoje, não é? Então lá vai uma boa notícia: feito um balanço na importação e exportação do mercado brasileiro, no primeiro semestre a nossa balança comercial foi favorável, ou seja, exportamos mais do que importamos! E isso devido é claro, ao valor tão baixo do real em relação o caríssimo e respeitado dólar. Sem dúvida alguma, é um ponto positivo para uma economia tão frágil como nossa, mas o próximo governo, com certeza, terá de trabalhar muito mais do que oito anos para devolver a dignidade aos trabalhadores e seus empregos produtivos que foram substituídos por meros produtos que são considerados mais valiosos só porque foram feitos lá no estrangeiro.

Para encerrar, com um gosto menos amargo da nossa submissão econômica e cultural, fica a minha homenagem ao querido Chico Xavier, que dissera que gostaria de morrer em um dia de felicidade para o Brasil. Só alguém que merece tanto prestígio exatamente por ser tão simples, teve efetivamente o direito de ter o seu desejo realizado.

Pessoas, como eu digo sempre, por favor, escrevam-me ou deixem seus recados para dúvidas, críticas, ou o que mais vocês quiserem discutir sobre o que acontece aqui e no mundo.

Beijos!

“Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta.”

Chico Xavier

- Escrito por Ashley em 2002

Tempo de Mudança

Friday, February 13th, 2009

Oi leitor, tudo bem? Espero que sim. É com muito prazer que escrevo mais uma vez para o Blá Blá Blá, depois de tanto tempo.

Depois do acontecimento trágico com o edifício World Trade Center (assunto da primeira coluna), que fez com que os olhares do mundo se voltassem para Nova Iorque, talvez seja hora de olharmos a nossa volta, o que do nosso país está sendo derrubado e destruído há muito tempo.

Como todos sabem, estamos em ano eleitoral, o que significa ano de mudança.

Diga-me com sinceridade, notícias como: “apenas 7% da região Norte do Brasil tem rede de tratamento de esgoto”, é novidade para você? A nota em si, isolada, pode ser que sim, afinal, numa região com as dimensões territoriais que o Norte possui, é realmente de se espantar que 93% daquela população viva sem esgoto tratado. Mas eu peço para que você leitor, pense de uma forma mais ampla, em termos de informação, o que é isso? Um dado, certo? Pois é… mais um entre tantos que todos nós conhecemos, que representa a pobreza e a miséria do país em NÓS vivemos.

E diga-me outra coisa: há quanto tempo você houve todos dias dados como este? A minha resposta é, desde que eu nasci. A sua também é?

Bom, antes que você pergunte até onde esses “diga-me” irão parar, esclareço o assunto da coluna. A consciência do voto. O que eu quis dizer fazendo perguntas sobre índices que falam da miséria do país, foi que a situação social em que o Brasil se encontra é muito grave e que é necessário que se faça uma mudança. E como eu disse acima, eleições representam mudanças.

Ainda que, a cada quatro anos seja a mesma coisa; assistir às cansativas propagandas eleitorais, votar, presenciar ou vivenciar confusões por causa da urna eletrônica e no fim o candidato nada fez, o voto é o único meio de procurar uma saída. Por isso a minha intenção é valorizar esse poder que nós temos de eleger alguém que traga transformações positivas para o nosso país, afinal, creio que como eu, todos estejam fartos de assistir a seqüestros, corrupção em órgãos públicos, pessoas quem não tem onde morar invadindo a casa dos outros, mortes causadas por doenças que se manifestam por falta de infra-estrutura municipal.

Chamo a atenção para esses dois últimos exemplos, que tem uma denominação: Sem terras e dengue. Apesar de existirem opiniões que se divergem com relação a reforma agrária, ela está na constituição brasileira, portanto é uma lei que deve ser cumprida. E sobre a dengue, a falta de planejamento de moradia apropriada levou a propagação incontrolável dessa epidemia, afinal, se a população tivesse lugares apropriados para viver; se os lixões onde se acumulam milhares de pneus velhos fossem fiscalizados e água da chuva e dos rios que inundam as grandes capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, tivessem vazão, os três fatores não se misturariam e manter um simples vazo de planta em casa, não seria a desgraça que hoje representa.

Analisando apenas dois problemas sociais no Brasil, já notamos graves faltas cometidas pelo governo (seja ele de que partido for): o descumprimento da legislação e falta de moradia apropriada para a população. E dar as costas para esses dois fatores, pode gerar muitas outras questões que fazem da imagem brasileira, vergonhosa.

Bem, minha intenção aqui já foi declarada; chamar a atenção do público que costuma freqüentar o site, da importância que a participação do seu voto nas eleições, pois assuntos que envolvem política geralmente são tratados à distância, como se nada pudéssemos fazer. Pode parecer bastante utópico da minha parte acreditar que uma minoria que sabe votar consciente, possa salvar o país, mas é a única saída de ao menos tentarmos. Pessoalmente, melhorar a sociedade, significa humanizar, dessa forma, apagariam os indicadores do IBGE que calculam os índices de analfabetos, doentes, crianças abandonadas, que são pessoas reduzidas a meros números lidos e esquecidos, como se tivessem sido apagados.

- Escrito por Ashley em 2002.

Uma reflexão gerada acerca do atentado ao World Trade Center e suas conseqüências

Friday, February 13th, 2009

Há inúmeras coisas que devem ser questionadas sobre o atentado terrorista ao World Trade Center em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Por isso colocarei aqui os pontos que considero mais importantes. O primeiro deles é a manipulação da imprensa e sua ética relacionada com o American Way of Life. Em segundo lugar gostaria de tratar também a questão do nacionalismo norte americano relacionado com seu passado histórico.

Na sociedade moderna estar informado e atualizado é muito mais fácil do que há  algum tempo atrás, abrangendo todas as classes sociais, mesmo que o ensino seja muito mal administrado e de péssima qualidade para a grande maioria da população brasileira.

A quantidade de informações que adquirimos parece não se processar de maneira qualitativa, diante da rapidez e do volume imenso que se derrama diante de nós. Por esse motivo dificilmente não paramos para pensar na manipulação que sofrem tais informações independente de suas fontes. Depois do atentado aos edifícios novaiorquinos, assistimos  a tantas pessoas chorando, deixando flores, dando entrevistas e todo aquele melodrama patriótico. Você já parou pra pensar por   quê?? A resposta é imediata: “Como?! O que fizeram é uma atrocidade!”,  “Um crime absurdamente terrível!”,  “Temos que eliminar os terroristas  da face da Terra!”; e assim por diante. No entanto devemos parar e lembrar que não só essa atrocidade acontece no mundo. Milhares delas acontecem, e pessoas morrem de formas com as quais nós já nos acostumamos a ver; de fome, de frio, de endemias, ali mesmo do outro lado da calçada de nossas casas há um bêbado dormindo e nada é feito, porém quando um ataque terrorista acontece no país mais rico do mundo, o mundo inteiro chora. Fala-se em Terceira guerra mundial, mas a África por exemplo vive em guerra civil desde o século retrasado. Por que uma guerra civil em um país pobre que mutila pessoas com BOMBAS escondidas em minas, vale menos que a explosão de um prédio num país milionário?

Aí é perguntado: mas o que você quer dizer com isso?

O que quero dizer, é que a imprensa manipula informações, divulgam o que lhes convêm, alimentando a ignorância de muitos para que não olhem ao seu redor e glorifiquem o American Way of life, para que na cultura de países pobres como o Brasil, não se cultive intelectuais para questionar a ignorância e a falta de educação da população. Enquanto as pessoas choram e se emocionam com o sensacionalismo da imprensa, políticos roubam, informações são ocultadas, impostos são aumentados  e a maioria das pessoas não presta atenção porque outra notícia  lhe foi dada para se revoltar e se impressionar.

Tomemos como exemplo o Brasil, diante de sua péssima e miserável condição social para explicar o tamanho domínio do jeito americano de viver. A condição histórica do nosso país explica a destruição da cultura nossa nativa.

Nossa História conta que somos uma ex-colônia de exploração portuguesa, o que definitivamente atrapalhou no processo de independência, de forma que as elites agrárias permaneceram até hoje na administração política brasileira e o único interesse delas é enriquecer deixando pra trás o desenvolvimento social do Brasil. E qual a melhor forma para manipular uma população de mais 160 milhões de pessoas? Através dos meios de comunicação. Ainda que haja jornais, programas de televisão de boa qualidade que discute a ética jornalista e trabalham para o desenvolvimento cultural, não são suficientes para conscientizar as pessoas. Entra aqui então o American Way of Life que se aproveita da ignorância de uma população. Mas por quê? Os americanos são tão maus assim?? Não exatamente; por que são movidos por um impulso cultural e religioso (que não cabe aqui discutir)  que chamamos hoje de imperialismo e que este possui uma aceitação pelos governos subdesenvolvidos que subornados abrem as portas e as pernas para a entrada de uma cultura hegemônica.

Com certeza os Estados Unidos estão vivendo agora o auge do seu ufanismo nacionalista. O atual presidente George Bush é o representante mor do exibicionismo norte americano. Tão limitado em sua mente petrolífera e disléxica (tomei tal informação de fontes seguras) tomou posse mostrando a bota, afirmando da forma mais velada que é xerife do mundo. Em seguida recusou-se a assinar o Tratado do Kioto não se responsabilizando pelos 25% de dióxido de carbono emitido pelos Estados Unidos à atmosfera. Como se não lhe fosse bastante, divulgou concretizar o plano “Guerra nas Estrelas” de construir um escudo anti-mísseis armados de radares para defender a tão amada pátria, enquanto isso o que aconteceu? Foram destruídos dois dos mais idolatrados  patrimônios americanos, parte do Pentágono e as torres do World Trade Center que ficam muito abaixo de satélites detectores de mísseis.

Diante do orgulho ferido e da reverência do mundo diante de tamanha desgraça, resta aos EUA agora mostrar todo o seu poderio bélico armando seu exército e combatendo de forma xenófoba os causadores do atentado. Não estou aqui de forma alguma dizendo que os terroristas não devem ser julgados, devem sim pois são assassinos. Contudo deve-se analisar como puni-los. Certamente o que veremos poderá ser sim uma guerra, mais uma depois de tantas em que os EUA atreveram-se a intervir e matar. Quer exemplos? Bombas em Hiroshima e Nagazaqui, Guerra do Vietnã (que por sinal perderam) a intervenção na Iugoslávia exterminado macedônios com o argumento de que os mísseis foram jogados ‘sem querer’ por não terem o mapa correto atingindo  hospitais e asilos.

Encerro essa coluna, na qual tive o prazer de participar, me desculpando pelas digressões e também dizendo que não é minha intenção julgar a escolha cultural dos leitores, principalmente porque eu, na postura de alguém que representa a classe média brasileira, e que assimilou parte da cultura norte americana e no entanto não deixei minha postura social de lado. Também despeço-me confessando que só diante desse atentado fui levada a fazer reflexões que no fundo são visíveis há muito tempo, o que mostra que eu também fui atingida pelas informações da imprensa. À Carola e Linoge, meus agradecimentos por abrirem o tema da hp a um assunto de tamanha importância contribuindo para uma boa dose informação.

Escrito por Ashley em 2002.